domingo, 4 de setembro de 2011

Coincidências.


Sabe, eu não acredito em coincidências. E não foi nenhuma coincidência nos esbarrarmos naquela manhã de quarta chuvosa, você era o aluno novo bonito e pagador, eu era a garota quieta e taxada como anti-social. Aquele suco de laranja derramado em sua camisa e as batatas do seu almoço em meus cabelos foi só o começo do que eu nem imaginava do que estava por vir.

Sai correndo de casa, ao chegar à porta rezei para o que estava vendo fosse mentira, mais meus olhos não queria me enganar dessa vez, olhos traiçoeiros isso sim. Chuva. Corri o mais rápido que pude para o carro da Jude. Abri a porta do carona e joguei minha mochila logo depois me atirando o mais rápido possível para dentro, olhei no espelho retrovisor, estava desejando para que minha chapinha milagrosamente torna-se imune a água, mais para minha alegria, não era.
Jude olhou assustada para mim.
- O que foi? – disse passando a mão no rosto e olhando várias vezes para o espelho, esperando ter algo de errado comigo.
- Não nada, só estou surpresa você nunca foi de se arrumar, tipo chapinha, maquiagem.. – disse ela apontando para meu rosto e dando uma risadinha abafada.
- só achei que estava na hora de ser um pouco mais cuidadosa.. – disse corando, quando ela me olhou e percebeu por eu havia feito tudo aquilo.
- Agora entendi! Isso tudo é para o cara das batatas né? – disse com um olhar curioso para mim.
- não.. eu só acho que .. ah! Quer saber, esquece eu vou lá em casa tirar tudo isso.. – falei nervosa comigo mesmo, o que eu estava pensando? Nunca fui de fazer esse tipo de coisa, a aparência era o que menos importava principalmente a opinião daquelas pessoas ridículas do colégio, abri a porta do carro e fui andando emburrada até em casa, pouco me importando com a chapinha que levei quase meia hora fazendo.
- Olha não demora, por que vamos chegar atrasadas de qualquer jeito, mais quero pelo menos pegar a segunda aula! – disse Jude gritando da janela do carro ainda segurando um riso abafado.
Subi as escadas e me limpei, molhei meu cabelo até voltarem os cachos grossos que pendiam até o meio de minhas costas. Olhei no espelho, essa sim era eu. 

Primavera.


Era primavera, e como todas as primaveras a primeira coisa que vem á nossa cabeça é amor. Tudo desabrocha, mais para mim não era assim, para mim era só mais uma estação entediante. Eu não pensava o porquê de darem tanta importância a isso, até o momento que apareceu você.

Eu estava quieta olhando para o nada, sem fazer nada, sem pedir nada, sem  esperar nada.  E Você apareceu. Eu nunca tinha te visto, ou nunca havia parado para prestar atenção, na realidade eu não me importava com as pessoas á minha volta. 

Sabe, estar sozinha é bom, eu posso pensar no que quero e posso falar o que quero que eu não teria que enfrentar pontos de vista diferentes, eu estava bem do jeito que estava, ninguém se aproximava de meus muros, e eu os erguia mais e mais, logo isso acabou quando do nada você apareceu e fez uma simples pergunta.


- Você está bem?

Juro que naquele momento eu queria lhe dar um soco. Eu havia erguido aqueles muros, e com uma simples pergunta você havia estremecido eles. Quem era você?


- Como?
-  Ah! Desculpe mais eu vi você sozinha e parecia um tanto triste. Estou enganado?
- Você é o que pra falar tão formal assim? Filhinho de papai pelo que parece, olha aqui, você não me conhece e não sei o que deu na sua cabeça de vir falar comigo, mais se não percebeu, eu não quero mesmo continuar essa conversa, por que, bom, eu não te conheço, não gostei do seu jeito de se meter na vida das pessoas e pelo fato de você ser um filhinho de papai, agora sai que você está tampando minha visão do sol, valeu?

Eu não sei o que deu em mim, ninguém nunca havia falado comigo antes, então não sabia como reagir, o pior é que fui eu mesma naquela hora. Pensei que depois de ser eu mesma ele iria sair correndo chorando, pelo jeito ele parecia um filhinho de papai mimadinho, mais ele não fez isso, simplesmente sorriu e disse.

- Até logo, gostei de você. Nos vemos  depois.
Pasma só saiu uma coisa da minha boca.
- Vai se ferra!